Uma falha na migração automática dos descontos em folha de pagamento tem sido apontada como a principal causa do aumento da inadimplência nos empréstimos consignados para trabalhadores da iniciativa privada. Segundo informações obtidas pela Folha, integrantes do governo confirmaram que a situação é preocupante, especialmente por se tratar de uma modalidade de crédito garantida por desconto em folha.

Aumento da inadimplência

Recentemente, o Banco Central divulgou que a taxa de inadimplência para essa modalidade alcançou 7,9% em maio, representando um aumento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. Essa elevação preocupa, pois o programa de crédito, lançado pelo governo Lula, tinha como uma das inovações a manutenção automática dos descontos mesmo com a troca de emprego.

Expectativa de melhorias

O governo acredita que mais da metade dos casos de inadimplência se deve a problemas operacionais, não à incapacidade de pagamento dos trabalhadores. A expectativa é que a implementação da migração automática resolva parte desses atrasos gradualmente. Contudo, a funcionalidade ainda não está operando plenamente e deve entrar em vigor apenas em agosto.

Problemas operacionais

Atualmente, quando um trabalhador muda de emprego, o desconto das parcelas é interrompido até que o novo vínculo seja registrado. Isso resulta em atrasos nos pagamentos, colocando muitos deles em listas de inadimplência involuntariamente. O governo está trabalhando para corrigir essa falha, que poderia impactar a imagem do programa em um ano eleitoral.

Reações do setor

O Ministério do Trabalho atribuiu o aumento da inadimplência a fatores externos, como os custos de captação de recursos pelas instituições financeiras. Representantes do setor bancário, no entanto, observam que a inadimplência faz parte do funcionamento do consignado privado, especialmente quando o trabalhador perde o emprego.

Medidas em andamento

Uma das principais medidas do programa, que entrou em operação em junho, permite o uso do saldo do FGTS como garantia, o que deve ajudar a expandir o acesso ao crédito e reduzir taxas de juros. Apesar da queda nas novas concessões de crédito consignado em maio, a carteira do consignado privado cresceu 4,8% no mesmo período.