Um homem de 32 anos morreu afogado no sábado (10) no balneário Benedito Martins Leite, em Santo Antônio do Rio Abaixo (MG). Testemunhas disseram ao Corpo de Bombeiros que ele simulava um afogamento quando afundou e não voltou à superfície.
Militares localizaram o corpo por volta das 17h50, numa área com profundidade entre 3 e 4 metros. A Polícia Militar esteve no local e uma funerária foi acionada, segundo o g1.
O caso chama atenção para um risco pouco discutido. Prender a respiração embaixo d'água pode provocar um apagão por falta de oxigênio no cérebro, mesmo em quem sabe nadar bem.

O que causa o apagão da apneia
O fenômeno é chamado de síncope de hipóxia, segundo o Manual MSD. Quando alguém prende a respiração por tempo prolongado, o nível de oxigênio no sangue cai a ponto de desligar o cérebro, e a pessoa desmaia ainda submersa, sem perceber o risco.
A hiperventilação antes do mergulho aumenta o perigo. Ela adia o reflexo de respirar sem aumentar o oxigênio disponível, prolongando a apneia além do seguro.
Por isso a recomendação médica é não praticar esse tipo de apneia sozinho e sempre reservar um tempo de recuperação maior que o da respiração presa.
Minas já soma 155 mortes por afogamento em 2026
Minas Gerais registrou 155 mortes por afogamento entre janeiro e agosto de 2026, segundo o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG). A maior parte, 141 casos, ocorreu no interior do estado; outras 14 mortes foram na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
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O número de 2026 já é alto, mas segue abaixo do acumulado de anos anteriores. Em 2025, foram 286 mortes no ano inteiro; em 2024, 246. O pico da série histórica foi em 2016, com 385 óbitos.
Entre os fatores que mais preocupam especialistas está justamente a brincadeira de prender a respiração debaixo d'água, como no caso de Santo Antônio do Rio Abaixo.
Supervisão não é presença, é atenção ativa.
A frase é da especialista em prevenção de afogamentos Francine Araújo, que lista o uso de celular por quem supervisiona, o excesso de confiança de bons nadadores e a prática de prender a respiração como fatores que mais pesam nos acidentes.
Casos como o de Minas não são isolados. Afogamentos estão entre as principais causas de morte infantil no Brasil, e o país registra ocorrências o ano todo, não só no verão.
Em setembro, duas crianças foram reanimadas após afogamento em Betim, também em Minas Gerais.
Em junho, um policial salvou um casal de afogamento numa lagoa em Montes Claros, durante uma tempestade.
O ponto em aberto
O episódio de Santo Antônio do Rio Abaixo repete um padrão já mapeado pelo Corpo de Bombeiros em Minas. A maioria das mortes por afogamento acontece longe de salva-vidas, em balneários e rios do interior do estado.
A pergunta que fica é se a prevenção vai alcançar esses locais antes do próximo caso.





























