A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou o registro da vacina Capvaxive, que protege adultos contra 21 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, causadora da pneumonia e da meningite bacteriana. A aprovação saiu pela Resolução 3.790/2026, publicada em 24 de setembro.
Sete dos sorotipos cobertos pela nova vacina não estavam em nenhum imunizante pneumocócico já disponível no Brasil: 15A, 16F, 23A, 23B, 24F, 31 e 35B. A indicação oficial é para adultos a partir de 18 anos.
Por que essa vacina importa agora?
A pneumonia mata majoritariamente gente idosa no Brasil, e o quadro piorou nos últimos anos. Entre 2004 e 2024, idosos somaram 1.108.502 das 1.361.065 mortes por pneumonia no país, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade reunidos pelo Ministério da Saúde.
Isso é mais de 81% do total de mortes por pneumonia no período. De 2019 a 2024, as mortes de idosos pela doença subiram 56%, de 53.755 para 83.872 óbitos por ano, média de cerca de 229 idosos mortos por dia só em 2024.
A vacina mais protetora disponível de graça no país hoje só chega a quem já passou dos 85 anos, faixa bem mais estreita que o grupo em que a doença mais mata.
Como ela se compara ao que já existe no SUS?
O SUS já oferece a vacina Pneumo 20 a idosos com 85 anos ou mais, ampliação que chegou às redes públicas em setembro. A Pneumo 20 cobre 20 sorotipos; a Capvaxive cobre 21, com 7 que nenhuma das vacinas brasileiras cobria.
A aprovação da Anvisa usou o mecanismo de reliance, que aproveita a avaliação já feita pela FDA dos Estados Unidos, com base em 6 estudos de fase 3 em diferentes países e cerca de 8.400 adultos testados.
Por enquanto, a Capvaxive só está aprovada para venda no mercado privado. Não há, até a aprovação, previsão de preço nem de incorporação ao SUS — caminho que outras vacinas pneumocócicas já percorreram antes de chegar à rede pública.
O que acontece agora
A Capvaxive segue disponível só na rede privada, sem data para avaliação de incorporação ao SUS. Esse processo passa pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por decidir quais vacinas entram na rede pública e quando.
Enquanto isso não acontece, o imunizante com a cobertura mais ampla hoje disponível gratuitamente para idosos continua sendo a Pneumo 20, restrita a quem tem 85 anos ou mais.






























