O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atual proprietário do Banco Master, solicitou a elaboração de um dossiê sobre Milton Maluhy Filho, CEO do Banco Itaú, alegando que o executivo estaria 'causando muito problema'. Esta informação foi revelada em documentos da investigação da Polícia Federal (PF) que embasaram a 10ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira.
Pedido de Dossiê e Investigação da PF
O pedido de Vorcaro foi direcionado ao publicitário Thiago Miranda, que está detido desde março e é um dos alvos da operação. A PF, em sua investigação, busca apurar ações nas redes sociais que visam desestabilizar a credibilidade do Banco Central e intimidar jornalistas. No diálogo entre Vorcaro e Miranda, o ex-banqueiro expressa sua necessidade de informações sobre Maluhy, pedindo ajuda ao publicitário.
Conteúdo do Dossiê
Conforme a investigação, dados pessoais e patrimoniais de Milton Maluhy e de seus familiares foram compartilhados entre Vorcaro e Miranda. Um dos documentos examinados pela polícia é intitulado 'Família Maluhy Relatório sobre Execução Fiscal - Caso Milton Maluhy Filho', e contém uma advertência de que se trata de informações confidenciais.
Possível Vazamento de Informações
Há indícios de que o publicitário Miranda possa ter vazado informações sobre o CEO do Itaú. Em uma conversa, ele menciona que estava pronto para divulgar os dados de Maluhy, mas gostaria de usar um canal diferente para isso. As mensagens indicam uma estratégia de comunicação que poderia comprometer a imagem do executivo.
Reações e Intimidações
Outras conversas reveladas pela PF mostram a insatisfação de Vorcaro e Miranda em relação a reportagens da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. As matérias abordavam investigações sobre operações fraudulentas no banco. Vorcaro reclamou sobre as reportagens, e Miranda se ofereceu para 'revirar a vida' da jornalista, embora posteriormente tenha informado que não encontrou informações relevantes.
Desdobramentos da Operação Compliance Zero
A 10ª fase da Operação Compliance Zero resultou em mandados de busca e apreensão cumpridos no Distrito Federal. A PF investiga uma possível organização criminosa que estaria envolvida em atividades como monitoramento ilegal de pessoas ligadas a autoridades e a obtenção indevida de informações sigilosas.
O Valor tentou contato com os advogados de Vorcaro e Miranda, mas ainda aguarda respostas. O Itaú Unibanco, por sua vez, informou que não irá comentar a situação no momento.




