A Polícia Federal (PF) investiga a participação de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, na destinação de emendas parlamentares, mesmo sem exercer um mandato eletivo. Mensagens obtidas no celular de uma servidora da Câmara dos Deputados revelam diálogos que sugerem o envolvimento direto de Valdemar na definição e remanejamento desses recursos.
Diálogos reveladores
As conversas foram apresentadas em uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a indisponibilidade de até R$ 119,2 milhões em bens de Valdemar. Além disso, o magistrado suspendeu despesas ligadas às emendas investigadas, incluindo aquelas em fases de empenho, liquidação ou pagamento.
Segundo a PF, as mensagens indicam a existência de um “arranjo decisório paralelo” na Câmara, onde servidores teriam organizado e encaminhado solicitações que, na prática, eram atribuídas a Valdemar, enquanto deputados federais eram formalmente registrados como solicitantes dos recursos. Essa dinâmica visaria conferir uma aparência de legalidade às indicações feitas por Valdemar, que não possui autorização legal para dispor diretamente de verbas do Orçamento da União.
Mensagens de Mariângela Fialek
A servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, foi identificada como responsável pela organização e encaminhamento das emendas. O celular dela foi apreendido em dezembro de 2025, durante a Operação Transparência. Uma das conversas relevantes ocorreu em agosto de 2025, quando Garigham Amarante Pinto, advogado próximo a Valdemar, questionou se era possível alocar R$ 24 milhões em emendas para o Turismo.
Garigham perguntou se o valor destinado ao “Pres Valdemar” havia sido fechado, ao que Mariângela respondeu que seria ótimo concentrar tudo em turismo. Em respostas subsequentes, Garigham confirmou que R$ 24 milhões estavam acertados e enviou uma lista com municípios e referências ao setor de Turismo, levantando suspeitas de que esses dados estivessem relacionados aos recursos discutidos.
Indicações e emendas
Outro diálogo revelou que Nara Benedetti Nicolau Brum, servidora na Liderança do PL, informou que as indicações feitas por Valdemar já estavam sendo cadastradas. Nara mencionou que Valdemar pediu alterações em algumas indicações devido à incapacidade de execução por parte dos municípios.
A PF identificou 21 emendas que foram empenhadas ou pagas, somando R$ 119.216.703,15, sendo que cerca de R$ 104 milhões desse total já haviam sido efetivamente pagos. A investigação apura se os deputados registrados como solicitantes das emendas tinham conhecimento do procedimento ou se seus nomes foram utilizados sem participação direta.
Crimes investigados
As suspeitas incluem crimes de peculato, desvio e associação criminosa. A PF acredita que os servidores usaram suas funções e acesso aos sistemas da Câmara para direcionar verbas públicas conforme os interesses de Valdemar, que não é parlamentar. A CNN Brasil questionou Valdemar sobre as conclusões da PF, e ele negou ter indicado emendas, afirmando que a atuação do líder do partido é necessária em cidades pequenas sem representação em Brasília.




