A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre algumas exportações brasileiras de máquinas agrícolas deverá ter um impacto reduzido na indústria nacional, conforme avaliação de Pedro Estevam Bassols, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq.
Fatores que minimizam o impacto
De acordo com Bassols, dois fatores principais explicam a baixa exposição do setor à nova medida. O primeiro é a exclusão de produtos essenciais, como café e carnes, da lista de itens tarifados. Esses produtos têm grande relevância tanto nas exportações do Brasil quanto na demanda interna por máquinas agrícolas.
“Se esses produtos tivessem sido tarifados, isso afetaria esses mercados e, consequentemente, haveria uma redução nas vendas de máquinas, o que não aconteceu”, comentou o executivo.
Pequena participação nas exportações
Outro fator que contribui para o impacto limitado é que as exportações de máquinas agrícolas para os Estados Unidos representam apenas 0,65% da receita total da indústria, segundo dados da Abimaq. Essa baixa participação significa que o setor não depende significativamente do mercado norte-americano.
Apesar do impacto direto ser reduzido, Bassols alerta para o fechamento de oportunidades de expansão comercial para os fabricantes brasileiros. “O tarifaço tem um lado bastante ruim para nós, porque fecha um mercado que era potencial. Quem estava pensando em exportar para lá agora encontra uma barreira maior”, destacou.
Impacto em empresas específicas
O dirigente também menciona que algumas empresas podem sentir efeitos mais significativos devido à maior exposição ao mercado dos EUA, mas ressalta que esses casos são isolados e não representam o setor como um todo.
Balança comercial desfavorável
Além disso, Bassols enfatiza que a balança comercial de máquinas agrícolas entre Brasil e Estados Unidos é desfavorável ao Brasil. Em 2025, o Brasil importou US$ 383 milhões em máquinas agrícolas dos EUA, enquanto exportou apenas US$ 103 milhões para o país.
“É uma balança bastante benéfica para os Estados Unidos, como ocorre em boa parte da relação comercial entre os dois países”, concluiu.




