O prato feito, uma refeição muito consumida no Brasil, sofreu um aumento significativo de preço no início de 2026. Em junho, o valor médio desta refeição atingiu R$ 31,90, marcando uma alta de 7,2% em relação a janeiro, quando custava R$ 29,77, e um aumento de 5,4% comparado a março, quando o preço era R$ 30,27. Esses dados são do Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da FAC-SP.
Custos mensais e metodologia
Com o preço médio atual, um trabalhador que almoça fora de casa todos os dias úteis gastaria cerca de R$ 638 ao longo de um mês. A pesquisa do IPF coletou 887 preços em várias regiões do Brasil, utilizando métodos de coleta presencial e por meio de aplicativos de entrega de comida. O prato feito é definido como uma refeição composta por arroz, feijão, proteína, salada e guarnição.
Fatores que influenciam a inflação
Rodrigo Simões, economista da FAC-SP, aponta que a alta nos preços reflete uma combinação de fatores, incluindo o aumento nos preços de alimentos, custo de mão de obra e combustíveis. O impacto econômico da guerra no Irã também contribuiu para a elevação dos preços do petróleo, que afetou diretamente os custos de itens como óleo diesel e gasolina.
Comparativo de preços por região
O IPF revela diferenças significativas nos preços do prato feito entre as regiões do Brasil. O Sul apresenta o maior preço médio, chegando a R$ 34,90, que é 16,4% superior ao menor valor encontrado no Norte, que é de R$ 29,99. O Centro-Oeste vem logo em seguida, com R$ 34,45, enquanto o Sudeste e o Nordeste têm preços médios de R$ 31,99 e R$ 30, respectivamente.
Complemento ao IPCA
É importante notar que o IPF não substitui outros índices econômicos, como o IPCA, divulgado pelo IBGE. O objetivo do IPF é oferecer uma visão complementar da inflação por meio de um item de consumo comum e de fácil compreensão. No primeiro semestre de 2026, o IPCA registrou uma inflação de 67,71% para tubérculos, raízes e legumes, enquanto o feijão-carioca, o mais consumido no Brasil, teve um aumento de 52,82%.
Desafios futuros
O segundo semestre de 2026 traz novos desafios, especialmente com a ameaça do fenômeno climático El Niño, que pode afetar a produção agropecuária e, consequentemente, os preços dos alimentos. Além disso, a situação da guerra no Irã pode gerar novas pressões sobre os custos de combustíveis e fertilizantes. Simões alerta: "Acreditamos que o preço do prato feito pode subir um pouco mais no segundo semestre".



