O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a prévia oficial do PIB, recuou 0,6% em junho ante maio, pior que a expectativa de economistas, que previam queda de 0,53%. A indústria caiu 1,4% e os serviços recuaram 0,5% no mês. Só a agropecuária, com alta de 1%, evitou um resultado pior.
O IBC-Br é a prévia mensal do PIB elaborada pelo Banco Central. No acumulado de 12 meses até junho, o indicador cresce 1,5%. Na comparação com o primeiro trimestre, o avanço foi de 0,2%.
O que a agropecuária esconde no número
Segundo o próprio Banco Central, excluindo a agropecuária o IBC-Br teria recuado 0,9% em junho, não 0,6%. A safra positiva amenizou uma queda maior na indústria e nos serviços, que são o motor da economia urbana.
As contas nacionais oficiais do 2º trimestre só saem em 1º de setembro, pelo IBGE. Até lá, o IBC-Br é o melhor sinal disponível sobre o ritmo da economia.
O que isso muda para os juros
A atividade mais fraca, somada a surpresas recentes de inflação mais baixa, abre espaço para o Banco Central seguir cortando a Selic, hoje em 14% ao ano após o corte de 5 de agosto, o quarto seguido.
O Boletim Focus de 10 de agosto projeta a Selic fechando 2026 em 13,75%, o PIB crescendo 1,98% no ano e a inflação em 5,02%. Para 2027, a projeção do PIB cai para 1,50%, sinal de que o mercado não espera uma retomada rápida.
Mas a ata do Copom reforçou cautela: o Banco Central diz não ter pressa para acelerar os cortes. A decisão de 5 de agosto foi unânime, o que mostra a diretoria alinhada sobre o ritmo, mesmo com o mercado pressionando por cortes mais rápidos.
A próxima decisão do Copom sai em 15 e 16 de setembro.
O efeito dos juros altos já aparece fora das estatísticas. No mesmo dia da divulgação do IBC-Br, o Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial citando exatamente os mesmos fatores: juros altos, crédito restrito e consumo pressionado.
O que separa o Brasil de um corte mais rápido de juros
O mercado já projeta a Selic caindo mais rápido do que o Banco Central sinaliza. A distância entre as duas leituras é a distância entre acreditar que a inflação convergiu de vez para a meta de 3% e ainda desconfiar dela.
Enquanto essa dúvida não se resolve, o crédito segue caro para quem toma empréstimo e para quem, como a Casas Bahia, depende dele para girar o caixa.


























