O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, confirmou que o número de mortos devido aos terremotos de 24 de junho subiu para 4.333. As autoridades afirmaram que 315 das vítimas ainda não foram identificadas e que o total de feridos permanece em 16.740.

Resgates continuam

Além dos mortos, 6.462 pessoas foram resgatadas e cerca de 17 mil estão desabrigadas. Rodríguez anunciou que a presidente em exercício, Delcy Rodríguez, começará a entrega das primeiras 200 moradias na próxima semana, embora detalhes adicionais sobre o processo ainda não tenham sido divulgados.

Os danos foram extensos, com 856 edifícios afetados, dos quais 190 sofreram colapso total. O governo estima que serão necessárias aproximadamente 25 mil moradias para atender a demanda, e já identificou 40 terrenos para construção de habitações em Osma e Chuspa.

Histórias de sobreviventes

Enquanto o número de vítimas continua a aumentar, os sobreviventes compartilham suas angustiantes experiências. Maria Alejandra Sanz, de 17 anos, ficou presa sob os escombros por 17 horas, lutando para sobreviver em meio a uma tragédia que levou a vida de quatro de seus amigos, que estavam ensaiando para a formatura.

Maria recorda como, antes do sismo, estava se preparando para dançar ao som de Michael Jackson, quando o prédio começou a desabar. Ela sobreviveu bebendo sua própria urina e, quando finalmente conseguiu escapar, se deparou com a dura realidade da perda de amigos.

Desespero e esperança

A dor é compartilhada por outros pais e amigos. Jeffry Campos, pai de uma das dançarinas, lamenta a demora na chegada de equipes de resgate, que só chegaram dias após o desastre. A chegada tardia das ajudas gerou frustração e desespero entre os que buscavam por seus entes queridos.

Andrés Ganscka, um engenheiro civil que se mobilizou para ajudar, trouxe ferramentas e recursos do exterior, demonstrando a solidariedade que emergiu em meio à tragédia. Enquanto isso, Sanz e Marquez, que tinham planos de estudar e construir um futuro melhor na Venezuela, agora enfrentam uma realidade devastadora.

Reflexões sobre o futuro

Os sonhos da juventude foram interrompidos de forma abrupta. Sanz reflete sobre a amizade com Marquez e a dor da perda. A esperança de um futuro melhor, que parecia próxima após a possibilidade de mudança política no país, agora se tornou uma lembrança distante.

O luto coletivo permeia a comunidade, e a busca por respostas se mistura à dor da separação. As histórias de superação e resiliência são um testemunho da força humana diante da adversidade.