A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) atualizou suas previsões, aumentando a probabilidade de que o atual fenômeno de El Niño atinja intensidade "muito forte" nos próximos meses. A nova estimativa indica 81% de chance de que isso ocorra entre outubro e dezembro de 2023, um aumento significativo em relação aos 63% projetados anteriormente.
Projeções e impactos esperados
A NOAA também prevê que o fenômeno permanecerá ativo até o início de 2027, o que sugere um evento mais duradouro e intenso do que o inicialmente esperado. O El Niño é conhecido por provocar o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, impactando a circulação atmosférica e, consequentemente, os padrões de chuva em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.
Efeitos no agronegócio brasileiro
Os principais impactos para o agronegócio no Brasil envolvem uma possível redistribuição das chuvas. Historicamente, eventos de El Niño favorecem precipitações acima da média no Sul do Brasil, ao passo que o Norte e parte do Nordeste podem enfrentar estiagens. O Centro-Oeste e o Sudeste devem experimentar irregularidades climáticas, especialmente durante o período crítico da safra de verão.
Benefícios e riscos para culturas
No Sul, a maior disponibilidade de água pode beneficiar culturas como soja, milho de primeira safra e trigo, desde que as chuvas excessivas não comprometam o plantio e a colheita. No entanto, volumes elevados de chuva também podem dificultar as operações no campo e aumentar a incidência de doenças nas plantas, elevando os custos com defensivos.
Preocupações no Centro-Oeste
No Centro-Oeste, região crucial para a produção de soja e milho, o foco está na distribuição das chuvas. Atrasos no início da estação chuvosa ou períodos longos sem chuvas podem impactar negativamente o calendário de plantio da soja, afetando a "janela ideal" para o cultivo do milho safrinha, que representa cerca de 80% da produção nacional do cereal.
Impactos em outras culturas
A produção de café também é uma preocupação. Temperaturas elevadas e chuvas irregulares durante fases críticas podem prejudicar o rendimento das lavouras, especialmente nas áreas de café arábica no Sudeste. Para a cana-de-açúcar, o efeito dependerá da distribuição das chuvas: o excesso pode reduzir o teor de açúcar, enquanto a falta de água pode limitar o crescimento da cultura.




