O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que as novas tarifas de 25% anunciadas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil não possuem justificativa. Segundo Vieira, a motivação da medida foi "política" e uma "tentativa de interferência dos EUA no Judiciário brasileiro".

Reuniões e negociações

Vieira destacou que o Brasil realizou mais de 30 reuniões de alto nível com os EUA, incluindo 11 contatos diretos com representantes como Marco Rubio e Jamieson Greer. Ele mencionou que o país já estava em negociações desde antes de 2025, quando as tarifas foram inicialmente discutidas.

Contexto da tarifa

O chanceler recordou uma conversa telefônica que teve com Greer em abril, quando a tarifa aplicada ao Brasil era de 10%, que era o menor valor entre os países. Vieira também lembrou da carta de Donald Trump, que ameaçava impor novas tarifas e ordenava a investigação contra o Brasil.

Diálogo e disposição para negociar

O ministro enfatizou que desde o início do governo Lula, houve disposição para dialogar e negociar sobre qualquer questão que surgisse. Ele considerou as novas tarifas como "inaceitáveis" e criticou as declarações de Rubio, alegando que o secretário de Estado atacou "de forma grosseira" o presidente brasileiro.

Demandas consideradas irrazoáveis

Vieira afirmou que a insatisfação dos EUA se deve ao fato de o Brasil não ter aceitado demandas que considera irrazoáveis, como a abertura completa de setores da economia nacional aos interesses americanos.

Próximos passos

Durante a coletiva no Palácio Itamaraty, o chanceler abordou a confirmação pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sobre a proposta de um novo "tarifaço", que terá uma lista de itens isentos e entrará em vigor em 22 de julho. Essa decisão é resultado de uma investigação comercial que durou um ano, segundo a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, permitindo ao governo americano investigar e combater barreiras comerciais em outros países.