A indústria de fundos de investimento no Brasil teve um desempenho notável no primeiro semestre de 2026, com uma captação líquida de R$ 184,7 bilhões. Esse resultado representa o segundo melhor desempenho para o período nos últimos cinco anos, ficando atrás apenas dos R$ 191,3 bilhões obtidos na mesma época de 2024, conforme dados divulgados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Quando comparado ao semestre do ano anterior, a captação mais que dobrou, já que em 2025 foram captados apenas R$ 84 bilhões. Com esse crescimento, o patrimônio líquido da indústria alcançou R$ 11,1 trilhões, marcando um aumento de 10% em relação aos R$ 10,1 trilhões do mesmo período do ano passado.

Renda fixa em alta

A classe de renda fixa se destacou como a principal responsável pela captação, atraindo R$ 108,4 bilhões líquidos entre janeiro e junho de 2026, um crescimento em relação aos R$ 78,2 bilhões do ano anterior. Contudo, a rentabilidade média dessa classe foi de 5,5%, inferior ao CDI, que ficou em 6,8%.

Os fundos de crédito privado também mostraram recuperação, com uma captação líquida de R$ 14,4 bilhões, revertendo os resgates de R$ 12,6 bilhões do mesmo período de 2025. A rentabilidade média dos fundos com mais de 50% em crédito privado recuperou-se gradualmente, passando de resultados negativos para positivos nos meses subsequentes.

ETFs ganham destaque

Os fundos de índice, conhecidos como ETFs, captaram R$ 32,5 bilhões no semestre. Desses, R$ 27,1 bilhões, ou 83,6% do total, foram direcionados para ETFs de renda fixa. Um único fundo teve uma concentração de R$ 8,9 bilhões em captação. O patrimônio líquido dos ETFs saltou para R$ 116,6 bilhões em junho, aumentando em relação aos R$ 90 bilhões de janeiro, enquanto o número de produtos disponíveis cresceu cerca de 47% em um ano, totalizando 202 fundos.

Multimercados e suas saídas

Os fundos multimercados apresentaram um cenário menos negativo, com resgates líquidos de R$ 9,9 bilhões, o menor volume de saídas registrado desde 2022. Em contraste, no primeiro semestre de 2025, as retiradas somaram R$ 65,2 bilhões. Os multimercados focados em investimentos no exterior se destacaram positivamente, captando R$ 7,3 bilhões no período.

Apesar da queda do patrimônio, que encerrou junho em R$ 1,54 trilhão, os multimercados do tipo livre tiveram a melhor rentabilidade do semestre, alcançando 5,1%, embora ainda abaixo do CDI. A média da classe ficou em 3,84%, enquanto o índice de hedge funds da Anbima, o IHFA, subiu 3,3%.