No primeiro trimestre de 2026, a inadimplência no setor rural brasileiro alcançou 8,8%, conforme relatório divulgado pela Serasa Experian. Este número representa um aumento de 1,2 ponto percentual em comparação ao mesmo período do ano anterior, evidenciando uma tendência crescente na inadimplência dos produtores rurais.

Aumento no índice de inadimplência

Além do crescimento anual, houve um aumento de 0,6 ponto percentual na inadimplência de dívidas com mais de 180 dias de atraso, relacionadas a empresas do agronegócio. Esse percentual é baseado em 10,7 milhões de pessoas físicas que compõem a população rural mapeada pela Serasa.

Desafios financeiros para os produtores

Marcelo Pimenta, responsável pelo agronegócio da Serasa Experian, destacou que os dados refletem as dificuldades enfrentadas pelos produtores para recuperar sua saúde financeira. "Mesmo com perspectivas mais otimistas para alguns segmentos, os efeitos de ciclos anteriores, como altos custos e restrição de crédito, ainda impactam a capacidade de pagamento no setor", afirmou.

Taxas de inadimplência por perfil de produtor

A pesquisa revelou que os produtores sem registro rural, que podem ser arrendatários ou membros de grupos familiares, enfrentam a maior taxa de inadimplência, atingindo 11%. Em seguida, estão os grandes proprietários rurais com 9,9%, os médios com 8,6% e os pequenos com 8,3%.

Análise regional da inadimplência

Na análise por regiões, o Norte do Brasil registrou a maior taxa de inadimplência entre os produtores rurais, com 13,2%. O Nordeste e o Centro-Oeste seguem com taxas de 10,2% e 10,1%, respectivamente. Em contrapartida, as regiões Sudeste e Sul apresentaram os menores índices, com 7,3% e 6,2%.

Dados por estado

Em uma análise mais detalhada por estado, o Rio Grande do Sul se destacou com a menor taxa de inadimplência, que é de 5,8%. Já Mato Grosso, que é o maior produtor agrícola do Brasil, registrou uma taxa de 11,3%. No entanto, esse número ainda está abaixo dos índices alarmantes observados em alguns estados do Norte, como o Amapá, onde a inadimplência superou 20%, segundo o relatório da Serasa.