A insulina, conhecida principalmente por seu papel no controle da glicose, tem mostrado potencial no tratamento de lesões na córnea, segundo uma revisão publicada no Journal of Ocular Pharmacology and Therapeutics. Essa análise avaliou estudos realizados na última década sobre o uso de colírio feito com a substância.

Resultados Promissores na Cicatrização

A pesquisa concluiu que a insulina demonstrou eficácia na cicatrização da córnea, regeneração nervosa ocular e na recuperação de lesões epiteliais persistentes. O oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo do Einstein Hospital Israelita, explica que a insulina também atua como fator trófico, estimulando a migração e proliferação celular.

Estudo Reforça a Eficácia do Colírio

Um estudo recente publicado no Canadian Journal of Ophthalmology analisou 28 pacientes com ceratopatia neurotrófica, uma condição que compromete a cicatrização devido a danos nos nervos da córnea. Os resultados mostraram que 78,3% dos pacientes tiveram cicatrização completa após o uso do colírio de insulina, com efeitos colaterais mínimos.

Acessibilidade e Custo do Tratamento

Atualmente, o tratamento para ceratopatia neurotrófica varia conforme a gravidade, com opções que vão desde lágrimas artificiais até transplantes. O colírio de insulina apresenta um custo significativamente menor, cerca de US$ 150, em comparação com a cenegermina, que pode custar até US$ 100 mil. Essa diferença de preço torna o colírio uma alternativa viável especialmente em sistemas de saúde com recursos limitados.

Mecanismo de Ação da Insulina nos Olhos

A insulina possui propriedades anabolizantes que ativam vias celulares associadas à regeneração tecidual. Ao se ligar a receptores na córnea, ela estimula a migração e proliferação celular, acelerando a recuperação de tecidos danificados, o que é especialmente interessante para pacientes diabéticos, que frequentemente enfrentam complicações oculares.

Desafios e Futuro da Terapia com Insulina

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que mais estudos são necessários antes que o colírio de insulina se torne uma prática comum. Os trabalhos atuais são limitados e não há consenso sobre o protocolo ideal de tratamento. Além disso, a indústria farmacêutica deve se interessar no desenvolvimento de formulações específicas para uso ocular.