A classe C da região Sudeste do Brasil se destaca na contratação de seguros de automóveis, conforme revela uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). O estudo, que abrange dados de seguradoras que representam 56% do mercado, indica que a maioria dos segurados é composta por homens entre 36 e 55 anos, que correspondem a 55% do total.

Perfil dos segurados

No que diz respeito ao seguro residencial, o panorama é distinto, com uma predominância de consumidores mais velhos. Seis em cada dez segurados têm 46 anos ou mais, ressaltando a faixa etária entre 56 e 65 anos. Assim como no seguro de automóvel, a maior parte dos segurados residem no Sudeste e pertencem à classe C, embora a distribuição por classes sociais seja mais equilibrada, com a participação das classes D e B.

Dados do mercado

Apesar de o seguro de automóvel ter uma penetração considerável no Brasil, a taxa de cobertura é considerada baixa. De acordo com dados da CNseg e da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), apenas 29% da frota nacional, que conta com cerca de 63,3 milhões de veículos, está segurada, resultando em aproximadamente 18 milhões de automóveis protegidos.

Distribuição regional

Regiões do Brasil mostram diferenças significativas na adesão a seguros. O Sudeste alberga 53% dos consumidores de seguros de automóveis, seguido por Sul (16%) e Centro-Oeste (15%). A CNseg aponta que essas diferenças refletem tanto a distribuição da frota de veículos quanto as variações de renda e acesso ao crédito nas diversas regiões.

Seguro residencial

O seguro residencial apresenta um perfil de renda mais diversificado, com 31% dos consumidores da classe C, 27% da classe D e 21% da classe B. O Sudeste também se destaca nesse tipo de seguro, concentrando 56% dos clientes, enquanto as regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte possuem 15%, 13%, 11% e 5%, respectivamente.

Desafios e oportunidades no setor

Um aspecto preocupante é que apenas 17% das residências brasileiras contam com seguro residencial, mesmo em áreas frequentemente afetadas por desastres naturais, como o Sul. Alexandre Leal, diretor técnico da CNseg, destaca que essa situação representa um “gap de proteção”, apontando tanto um desafio econômico quanto uma oportunidade para o crescimento do mercado segurador no Brasil.

Capitalização e acessibilidade

Por fim, a pesquisa também revela que produtos de capitalização têm alcançado consumidores de renda mais baixa, com 38% dos clientes da classe E e 24% da classe D. O Sudeste representa 30% do total de clientes de capitalização, seguido por outras regiões. Leal afirma que esses produtos têm servido como uma porta de entrada para proteção financeira entre famílias de menor renda, devido ao baixo valor das contribuições mensais.