A chinesa Benda foi confirmada no mercado brasileiro em parceria com a Dafra no dia 13 de agosto, e a indiana Royal Enfield superou 100 mil motos em circulação no país. Juntas, as marcas chinesas e indianas responderam por 11,35% dos emplacamentos de motocicletas em julho, segundo o ranking da Fenabrave.
Fundada na China em 2016, a Benda expôs sete modelos no Festival Interlagos. Entre eles estão as customs Chinchilla 350 V2 Automatic e Napoleonbob 500 V2, além da Dark Flag Commander V4 e da LFC 700 Pro.
Segundo a Dafra, a homologação deve levar de seis a sete meses. Não há preço nem data de chegada às concessionárias.
Antes de fechar o acordo, a empresa comprou quatro motocicletas, registrou a marca no país e submeteu os modelos a testes de durabilidade e quilometragem, conforme informou seu diretor comercial, David Sarai.
A Royal Enfield chegou pelo outro extremo do calendário. Desembarcou no Brasil em 2017, com uma loja em São Paulo, e agora passou de 100 mil unidades rodando no país.
"Representam não apenas o crescimento comercial da fabricante, mas também a formação de uma comunidade de consumidores no país", afirmou Gabriel Patini, diretor-executivo da Royal Enfield para a América Latina.
A indiana emplacou 3.024 motos em julho e projeta chegar a 75 concessionárias até 2027.
Há um detalhe que amarra as duas histórias. A Royal Enfield monta em regime CKD na Zona Franca de Manaus desde 2022. Uma das duas fábricas que usa no polo industrial opera em parceria com a Dafra, a mesma empresa que agora traz a Benda.
Quanto as asiáticas já tiram de Honda e Yamaha
Pouco, por enquanto. O ranking de julho da Fenabrave mostra a Honda com 127.399 motos emplacadas e 63,96% do mercado. A Yamaha vem em segundo, com 28.622 unidades e 14,37%. As duas somam 78,33%.
A terceira colocada, porém, é chinesa. A Shineray emplacou 11.476 motos em julho, 5,76% do total. Atrás dela aparecem a indiana Bajaj (1,69%), a Royal Enfield (1,52%) e a chinesa Haojue (1,14%).
A disputa acontece num mercado em expansão. Foram 199.181 motos emplacadas em julho e 1.373.687 no acumulado do ano, conforme a Fenabrave. A Abraciclo projeta 2,3 milhões de licenciamentos em 2026.
"As vendas continuam consistentes, principalmente pelos atributos da motocicleta como economia, mobilidade urbana, menor custo de aquisição e uso profissional", declarou Marcos Bento, presidente da Abraciclo.
As líderes não estão paradas. Em outubro de 2025, a Honda anunciou investimento de R$ 1,6 bilhão nas operações de motocicletas no Brasil até 2029.
A meta é levar a fábrica de Manaus a 1,6 milhão de unidades por ano. A Yamaha tem a scooter elétrica Neo's, que deve ser fabricada no mesmo polo.
O que ainda pesa contra as entrantes
Rede. É nela que marca nova costuma tropeçar no Brasil, porque peça de reposição e assistência técnica valem tanto quanto preço de tabela para quem usa a moto no trabalho.
Em cidades do interior, a Honda segue como a única oficina autorizada disponível em muitos casos.
As chinesas tentam corrigir isso antes de escalar. A CFMoto mantém estoque nacional de componentes em Piracicaba, no interior paulista, e a Shineray opera com rede de assistência em expansão.
A Dafra informou que as lojas da Benda serão próprias da marca, instaladas em sua maioria ao lado das unidades da SYM, mas com estrutura separada. A Voge, também chinesa, confirmou produção no país a partir de 2026.
Para o comprador, o calendário mais próximo é o da Benda. Se a homologação correr no prazo estimado pela Dafra, os primeiros lançamentos ficam para 2027.
O que os números ainda não respondem
Os 11,35% de julho medem quem já vende, não quem acabou de anunciar. A Abraciclo aponta que 77,6% da produção nacional do primeiro trimestre foi de baixa cilindrada, a faixa da moto de trabalho. O teste virá na primeira peça de reposição fora das capitais.


























