O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial nesta segunda-feira (17), com R$ 17,3 bilhões em obrigações. A ação BHIA3 caiu 25,76% no dia, fechando a R$ 0,49, e acumula queda de 78,71% em 2026. A empresa cita juros altos e falta de crédito novo como motivo, após prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre.

O pedido foi protocolado na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, com aprovação do acionista controlador.

Além da Casas Bahia, entraram no pedido nove empresas do grupo, entre elas a Cnova Comércio Eletrônico e a Indústria de Móveis Bartira.

Por que a empresa pediu recuperação judicial?

Segundo a companhia, o cenário macroeconômico piorou: juros altos, restrição de crédito, custos financeiros maiores e consumo pressionado. As alternativas de liquidez que a empresa vinha estruturando não se concretizaram.

O problema não é só o tamanho da dívida. Antes do pedido, a Casas Bahia já havia reduzido o endividamento bancário bruto para R$ 4,12 bilhões. Falta acesso a crédito novo para financiar a operação.

Do total de R$ 17,3 bilhões em obrigações, R$ 16,4 bilhões são de credores sem garantia real, R$ 754 milhões são dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões são devidos a micro e pequenas empresas.

O patrimônio líquido da companhia está negativo em cerca de R$ 8,1 bilhões.

Como o mercado reagiu?

O Morgan Stanley mantém recomendação "underweight" para o papel. XP Investimentos e Itaú BBA colocaram suas recomendações em revisão, citando incertezas sobre a continuidade operacional.

Analistas da XP alertam que a restrição de fornecedores pode limitar a disponibilidade de produtos nas lojas antes do 4º trimestre. As lojas físicas seguem operando normalmente.

A companhia já havia fechado 298 lojas de baixo desempenho de uma base de 1.033 unidades, o que motivou risco de ações trabalhistas de sindicatos sobre cerca de 1.900 demissões.

Deixaram o conselho e a diretoria o diretor Fábio Eduardo de Pieri Spina e os conselheiros Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres.

O CEO Renato Franklin reconheceu que a reestruturação feita até aqui, apesar de importante, não foi suficiente diante do cenário de crédito mais restrito, juros altos e consumo pressionado.

O que a recuperação judicial ainda não resolve

A proteção judicial suspende execuções contra a empresa e dá fôlego de caixa, mas não resolve sozinha o problema operacional, segundo os próprios analistas que acompanham o papel.

Falta saber se a medida chega a tempo de evitar que a restrição de fornecedores, já sinalizada pela XP, vire também falta de produto nas prateleiras antes do fim do ano.