Poucos meses após concluir sua reestruturação financeira nos Estados Unidos, a Azul (AZUL3) marca o início de um novo capítulo em sua trajetória. A companhia aérea quer mostrar que saiu mais forte do Chapter 11, com menor endividamento e um balanço preparado para enfrentar as adversidades do setor. O CEO John Rodgerson é enfático: "a Azul está de volta".

Redução da Alavancagem

Em entrevista ao InfoMoney, Rodgerson afirmou que a reestruturação permitiu que a empresa alcançasse um nível de alavancagem inferior ao que possuía antes da pandemia. Em 2019, no auge de seu valor de mercado, a alavancagem era de cerca de três vezes. Atualmente, mesmo com o dólar em um patamar elevado, o indicador caiu para 2,4 vezes.

O CEO reconhece que os últimos anos foram desafiadores, marcados pela pandemia, desvalorização cambial e altos juros. Ele destaca que, após sair do Chapter 11, a Azul voltou a investir na experiência do cliente, resultando em uma melhoria de 25 pontos em seu índice de satisfação.

Desafios do Setor Aéreo

O setor aéreo enfrenta oscilações macroeconômicas significativas, como o recente aumento dos preços do petróleo. Rodgerson acredita que a Azul já estava tomando medidas para mitigar riscos antes desse choque, adotando uma estratégia de crescimento mais cautelosa em comparação a seus concorrentes.

Um dos desafios apresentados por investidores é a percepção de que a Azul é uma ação excessivamente sensível a flutuações de câmbio e combustível. Historicamente, a companhia é vista como um papel de "alto beta", com grandes oscilações em resposta a eventos econômicos. O CEO acredita que a redução da dívida é essencial para mudar essa percepção, com uma meta de levar a alavancagem para 1,5 vez.

Diversificação de Receitas

A estratégia da Azul inclui ampliar sua atuação em áreas que vão além do transporte de passageiros. Hoje, cerca de 25% das novas receitas já provêm de atividades como fidelidade, logística, turismo e manutenção aeronáutica. Essas áreas oferecem potencial de crescimento sem a necessidade de expansão da frota, minimizando riscos e aumentando a rentabilidade.

Além disso, a companhia planeja fortalecer seu relacionamento com os clientes através de produtos como cartões de crédito e pacotes de viagem, visando uma presença mais significativa no cotidiano dos consumidores.

Desafios do Mercado Brasileiro

Rodgerson também aponta que o mercado brasileiro apresenta desafios estruturais, como a volatilidade cambial e os altos custos operacionais. Ele afirma que, para prosperar, as empresas aéreas devem operar com níveis de endividamento mais baixos do que em outros mercados, especialmente após a pandemia.

O CEO considera positivo o aumento da participação do governo em mecanismos de apoio ao setor, ressaltando a importância estratégica do transporte aéreo para o Brasil. Ele acredita que a conectividade aérea deve ser uma prioridade nacional, independente de questões políticas.

Retorno à NYSE

Um marco importante dessa nova fase é o retorno da Azul à Bolsa de Nova York (NYSE). Rodgerson vê essa listagem como um símbolo do fim da reestruturação financeira e um reforço ao compromisso da empresa com altos padrões de governança corporativa.

O executivo também menciona a presença de investidores como United Airlines e American Airlines, que, embora tenham participação minoritária, representam um sinal de confiança na estratégia da Azul e em seu potencial de crescimento após a reestruturação.