Na última quarta-feira (15), um acordo significativo foi anunciado entre o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente da Câmara, Hugo Motta. O foco da negociação é a renegociação de dívidas de produtores rurais que registraram perdas devido a eventos climáticos e variações nos preços agrícolas, segundo o ministro da Fazenda.
Condições de pagamento
De acordo com Durigan, os produtores que registraram perdas de pelo menos 30% em duas safras poderão renegociar suas dívidas em condições especiais. O prazo para pagamento será de oito anos, com dois anos de carência e isenção de entrada. Para aqueles que sofrerem perdas em três safras, especialmente no Rio Grande do Sul, o prazo poderá se estender para dez anos.
Taxas de juros diferenciadas
As taxas de juros para a renegociação de dívidas também serão ajustadas conforme o porte do produtor. Para agricultores afetados por eventos climáticos, as taxas serão de:
- 5% ao ano para beneficiários do Pronaf;
- 8% ao ano para produtores do Pronamp;
- 11% ao ano para grandes produtores.
Nas situações que envolvem perdas causadas por variações de preços, as taxas serão:
- 6% ao ano para o Pronaf;
- 9% ao ano para o Pronamp;
- 12% ao ano para produtores de maior porte.
Inclusão das CPRs
Uma das novidades do acordo é a inclusão das Cédulas de Produto Rural (CPRs) nas renegociações. Durigan explicou que, até o momento, essas operações não eram aceitas nas renegociações. Com o novo acordo, as operações de CPR em atraso poderão ser renegociadas com as instituições financeiras, seguindo os mesmos prazos que as demais dívidas.
Cooperativas de produção
O governo também anunciou que cooperativas de produção poderão participar do programa. Bancos públicos, instituições privadas e cooperativas de crédito estarão autorizados a oferecer as novas condições aos produtores rurais que optarem por aderir ao acordo.
Garantias e reavaliação de contratos
Outro aspecto importante do acordo é a questão das garantias exigidas pelos bancos. O governo informou que as garantias usadas nas operações originais poderão ser reaproveitadas nas novas renegociações, facilitando o processo para os produtores, que não precisarão apresentar novas garantias, a menos que seja estritamente necessário.
O acordo surge após meses de negociações entre a equipe econômica e a bancada do agronegócio, tendo em vista a aprovação inicial do projeto pelo Senado sem um alinhamento com o governo. O impacto fiscal da medida era uma preocupação, mas o novo acordo busca aliviar o endividamento dos produtores afetados por eventos climáticos extremos.


