Um novo estudo elaborado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) revela que a conclusão do trecho pernambucano da Transnordestina pode gerar significativos benefícios econômicos e sociais, estimados em R$ 4,7 bilhões somente em Pernambuco. A obra, que está paralisada há uma década, foi retirada do projeto durante o governo de Jair Bolsonaro, mas a nova gestão de Luiz Inácio Lula da Silva retomou as discussões sobre sua continuidade.
Suspensão e exigências do TCU
No entanto, a continuidade dos trabalhos enfrenta restrições. O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão de novos compromissos financeiros relacionados ao ramal entre Salgueiro e Suape até que a viabilidade técnica, econômica, social e ambiental da obra seja comprovada. O vice-presidente Geraldo Alckmin visitou Pernambuco e comentou que a obra pode recomeçar assim que o TCU der seu aval.
Expectativas e objetivos do estudo
O estudo tem como um de seus principais objetivos atender as exigências do TCU. Realizado com a colaboração da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) e do Porto de Suape, o documento também destaca a necessidade da construção de um trecho de 73 quilômetros entre Custódia e Arcoverde, cuja licitação havia avançado antes da interrupção dos trabalhos.
Impacto da ferrovia na economia
Segundo a Sudene, a ferrovia poderá movimentar até 24 milhões de toneladas de carga anualmente. O presidente da Fiepe, Bruno Veloso, ressaltou a diversidade de setores que serão beneficiados, incluindo a mineração, a fruticultura no Vale do São Francisco e a produção de proteína animal, essencial para a ração. Além disso, a integração com a Refinaria Abreu e Lima em Suape é um fator que reforça a relevância econômica do trecho.
Empregos e impacto regional
O levantamento indica que a conclusão da Transnordestina entre Salgueiro e Suape pode gerar cerca de 13 mil empregos diretos durante a construção e 9,6 mil postos de trabalho quando a ferrovia estiver em operação. Aproximadamente 400 municípios nordestinos deverão experimentar um impacto positivo em seu Produto Interno Bruto (PIB) devido à nova conexão ferroviária.
Próximos passos e expectativas
O projeto da Transnordestina prevê um total de 1.752 quilômetros de ferrovia, ligando o Porto Seco de Eliseu Martins, no Piauí, aos portos de Pecém e Suape. Enquanto o trecho no Ceará tem previsão de conclusão para 2027, a continuidade das obras em Pernambuco depende da decisão do TCU sobre a liberação de novos recursos. A Sudene estima que, se os investimentos forem aprovados, a finalização do trecho pernambucano pode ocorrer até 2030, com um custo aproximado de R$ 5 bilhões.




