A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) manifesta forte preocupação em relação às tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao setor têxtil. De acordo com a entidade, essa medida apenas agrava um panorama que já era desafiador.
Cenário de consumo estagnado
Segundo a Abit, o consumo no Brasil não está em alta, e a recente eliminação da 'taxa das blusinhas' resultou em um aumento significativo das remessas internacionais, impactando ainda mais o setor nos últimos meses.
Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, destacou que o crescimento das importações convencionais combinado com um mercado interno estagnado traz mais desafios do que as tarifas impostas atualmente. Ele enfatizou que o tarifaço forçará o varejo a repensar suas estratégias de forma complexa.
Busca por novos mercados
A entidade está em busca de novos mercados para o setor, apostando em alternativas como a Europa e o Mercosul. Entretanto, Pimentel não consegue afirmar se será viável redirecionar os R$ 400 milhões que o Brasil exporta anualmente para os Estados Unidos.
As exportações brasileiras de têxteis para os EUA já enfrentam uma queda significativa, com uma redução de quase 12% registrada neste ano. A Abit trabalha com o cenário de queda nas vendas externas e uma possível migração de investimentos, mas ainda está avaliando os impactos financeiros, especialmente sobre as pequenas empresas.
Continuidade das negociações
A Abit defende a importância da continuidade das negociações com o governo para tentar mitigar os efeitos negativos das tarifas. Um dos argumentos apresentados é que empresas americanas também sofrerão consequências com essa nova política tarifária.
Pimentel relatou que já recebeu um contato de um comprador de lã nos Estados Unidos preocupado com os impactos das tarifas, e destacou a necessidade de comunicar essa preocupação ao governo brasileiro.




