A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) divulgou, nesta quinta-feira (16), uma previsão preocupante para o setor: o impacto das novas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos pode resultar em um acréscimo de custos de até US$ 66 milhões até o final de 2026.

Produtos Impactados

A Abiquim destacou que os segmentos mais atingidos por essas tarifas são tintas, vernizes e lacas; fibras têxteis sintéticas; além de sabões, detergentes e produtos de perfumaria. A maioria desses produtos não conta com isenções e, portanto, estará sujeita a uma sobretaxa em torno de 25%.

Outros Segmentos Afetados

Além dos produtos mencionados, a entidade também aponta que químicos orgânicos, resinas e elastômeros serão impactados pela tarifa. Por outro lado, químicos inorgânicos e defensivos agrícolas devem sofrer menos efeitos, uma vez que possuem maior participação de produtos incluídos na lista de isenções.

Detalhes das Isenções

De acordo com a Abiquim, apenas 42% dos códigos tarifários (SH6) do universo químico exportado para os EUA foram isentados da tarifa adicional de 25%. Esses códigos isentos representam uma parcela significativa do valor total exportado pelo Brasil.

Distribuição das Isenções

Do total de 1.177 códigos SH6, 493 ficaram isentos da sobretaxa, enquanto 684 códigos (58%) estão sujeitos à nova tarifa. A entidade ressaltou que, embora a maior parte do valor exportado esteja concentrada em produtos beneficiados pelas isenções, a sobretaxa ainda incide sobre a maioria dos itens da pauta exportadora.

Superávit Comercial

Em termos de valor, as isenções abrangem entre 64% e 71% das vendas brasileiras aos EUA, com foco em produtos de grande volume, como alumina calcinada, silício, hidróxido de alumínio e óxido de nióbio. A Abiquim também destacou que, no ano passado, os EUA registraram um superávit comercial no setor químico com o Brasil superior a US$ 9 bilhões.

Posição da Abiquim

A associação critica as novas tarifas, afirmando que não há justificativa para tais medidas na relação comercial entre os dois países e que elas não contribuem para aumentar a competitividade da indústria norte-americana.