O Brasil se posicionou como o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China. A tarifa média sobre as exportações brasileiras para o mercado americano aumentará de 11,7% para 18,2%, conforme apontado por uma análise da Global Trade Alert, uma organização suíça sem fins lucrativos.

Investigações e Temas Abordados

A investigação comercial americana focou em seis temas principais: comércio digital e serviços de pagamento, incluindo o sistema PIX; acordos tarifários; combate à corrupção; propriedade intelectual; mercado de etanol; e desmatamento ilegal. A crescente tarifação reflete um descontentamento com as negociações que não avançaram entre os dois países.

Falta de Negociação e Resistência Brasileira

Welber Oliveira Barral, ex-secretário de Comércio Exterior, destaca que a falta de diálogo tem gerado consequências. Segundo ele, os Estados Unidos tentaram negociar com outros países, como a Argentina, enquanto o Brasil ficou à margem, resultando na aplicação de tarifas mais altas.

Desconhecimento das Estruturas Brasileiras

Barral também menciona que há uma falta de compreensão nos Estados Unidos sobre como o Brasil opera, especialmente em relação à autonomia do Judiciário e do Legislativo. Isso leva a pedidos que, em muitos casos, são inconstitucionais, dificultando as negociações.

Pensamento do Governo Trump

Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais, aponta que a administração Trump não vê vantagens no livre comércio. As medidas tarifárias aplicadas ao Brasil são uma consequência desse pensamento, que poderá afetar diversos outros países que buscam negociar com os EUA.

Impacto do PIX e Geopolítica

Os Estados Unidos manifestam preocupações em relação ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o PIX. Stuenkel argumenta que este avanço tecnológico representa uma tentativa brasileira de ganhar autonomia em um cenário geopolítico instável, onde a influência americana está em declínio.

Necessidade de Concessões

Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, sugere que o governo Trump busca concessões para reduzir as tarifas. Ele afirma que o Brasil precisa encontrar maneiras de negociar temas que sejam de interesse estratégico para os Estados Unidos, em vez de apenas responder a preocupações específicas.