Um levantamento realizado pela BBC News Brasil, utilizando dados da Biblioteca de Anúncios da Meta, revelou que as dez maiores casas de apostas online no Brasil aumentaram consideravelmente a veiculação de anúncios nas redes sociais, como Facebook e Instagram, durante as semanas que antecederam e durante a Copa do Mundo. No entanto, não foram fornecidos dados sobre os valores gastos nessas campanhas, nem sobre a quantidade de pessoas impactadas.
Falta de transparência prejudica fiscalização
A ausência de informações claras dificulta a verificação independente se os anúncios respeitam a legislação que proíbe a publicidade direcionada a menores de 18 anos, além de não permitir análises sobre a concentração de anúncios em determinados grupos demográficos.
Organizações que monitoram o setor de apostas, como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), expressaram sua preocupação com a falta de transparência na publicidade das apostas online. Especialistas em marketing digital e saúde mental, como Dayana Rosa e Filipe Detrey, descreveram a situação como uma 'caixa preta', dificultando o acompanhamento das ações dessas empresas em relação a públicos vulneráveis.
Legislação e a Meta
Embora a legislação brasileira não exija a divulgação de dados sobre campanhas publicitárias, a Meta possui um sistema que poderia permitir a verificação de informações demográficas e financeiras dos anúncios. Entretanto, esse sistema geralmente é aplicado a anúncios de entidades públicas e organizações sociais, e não tem sido utilizado de forma semelhante pelas casas de apostas.
Crescimento do setor de apostas
A intensificação da publicidade de apostas coincide com um crescimento significativo no setor, que, segundo dados do Ministério da Fazenda, gerou uma receita bruta de R$ 37 bilhões em 2025. O Brasil se tornou o quinto maior mercado de apostas do mundo, com pelo menos 25 milhões de apostadores registrados, representando aproximadamente 10% da população.
Reações das entidades de apostas
As principais entidades do setor, como o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional do Jogo Legal (ANJL), foram contatadas. O IBJR mencionou que não poderia responder pelos anúncios de suas empresas associadas, enquanto a ANJL afirmou que a decisão de divulgar dados cabe às próprias empresas, que consideram algumas informações estratégicas.
Monitoramento e fiscalização durante a Copa
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) afirmou que intensificou a fiscalização da publicidade das casas de apostas durante a Copa do Mundo, em resposta ao aumento expressivo de anúncios. O Ministério da Fazenda também está monitorando o mercado, mas ainda não possui dados consolidados sobre o volume de apostas.
O levantamento da BBC News Brasil contabilizou mais de 1.138 anúncios das casas de apostas analisadas, que foram veiculados durante o período da Copa. Entre as empresas que mais investiram em publicidade estão Betnacional, Esportes da Sorte e Superbet, que se destacaram pelo número de anúncios disparados.




