A MRV&Co, uma das principais empresas de incorporação imobiliária do Brasil, apresentou um desempenho positivo no segundo trimestre, com vendas líquidas que totalizaram R$ 2,75 bilhões, marcando um crescimento de 3,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O CFO da companhia, Ricardo Paixão, comentou que a geração de caixa também teve um avanço, alcançando R$ 116 milhões antes da consideração de cessão de recebíveis.
Desafios e Oportunidades
Em entrevista ao CNN Money, Paixão destacou que a empresa ainda enfrenta um descompasso entre as unidades produzidas e as que realmente foram vendidas e repassadas aos bancos. Reduzir essa diferença será um dos principais focos da companhia para o segundo semestre, visando otimizar a geração de caixa.
O CFO apontou que a recuperação nas margens operacionais foi fundamental para essa melhora. Após um período desafiador em 2021 e 2022, quando os reajustes de preços não acompanharam a inflação, a MRV começou a ajustar seus preços para além da inflação enquanto mantinha os custos controlados.
Estratégia Comercial e Força de Vendas
A mudança na estratégia comercial também foi uma prioridade, com a empresa optando por reduzir sua equipe de corretores próprios e priorizar parcerias com imobiliárias. No entanto, a MRV está agora reestruturando sua força de vendas, aumentando o número de corretores internos e gerentes de loja, o que deve elevar a produtividade e o volume de vendas nos próximos meses.
Além disso, Paixão destacou a estratégia multicanal da empresa, que combina vendas diretas com a atuação de imobiliárias parceiras, visando uma abordagem mais abrangente para captação de clientes.
Desempenho das Subsidiárias
O CFO também comentou sobre as subsidiárias Urba e Lugo, que seguem estratégias distintas. A Urba busca crescer sem consumir caixa, utilizando financiamento por meio da cessão de recebíveis, enquanto a Lugo está focada na administração de ativos já construídos para maximizar a geração de caixa.
Paixão mencionou que a Lugo possui ativos avaliados entre R$ 160 milhões e R$ 170 milhões, que, quando vendidos, devem proporcionar uma forte geração de caixa e recuperar os investimentos realizados. A operação norte-americana Résia também foi discutida, com dois ativos já vendidos e outros dois prontos para venda em breve.
Perspectivas Futuras
Em relação à variação cambial, Paixão afirmou que a MRV mantém um hedge natural devido à presença de ativos e passivos em dólar, minimizando os impactos da flutuação cambial. Para o futuro, ele reiterou que a companhia continuará a estratégia de desinvestimento na Résia, focando seus esforços no mercado brasileiro e utilizando a geração de caixa dos ativos vendidos para reduzir a alavancagem financeira.




