Um novo estudo alerta que ignorar queixas de dor em crianças e adolescentes pode levar a problemas crônicos na vida adulta. A pesquisa, realizada por especialistas da Universidade Cidade de São Paulo e da Universidade de Sydney, mostrou que 86% dos jovens com dores incapacitantes nos ossos, músculos ou ligamentos conseguem se recuperar em até 18 meses.
Reincidência de dores
No entanto, é importante notar que cerca de 32% dos pacientes que inicialmente apresentam melhora acabam por sentir dor novamente. Essas dores, muitas vezes classificadas como "dor de crescimento", não têm relação com traumas ou esforços físicos e podem causar faltas à escola e abandono de atividades.
Fatores de recuperação
A pesquisadora Tiê Parma Yamato, responsável pelo estudo, destaca que a idade e a qualidade de vida são fatores preponderantes na recuperação. Crianças mais novas e com melhor qualidade de vida apresentam maiores chances de recuperação espontânea, enquanto a adolescência pode diminuir essas perspectivas.
Impacto a longo prazo
A dor persistente na infância é um conhecido fator de risco para o desenvolvimento de condições crônicas na vida adulta. Yamato explica que tratar esses problemas precocemente pode ajudar a evitar que se tornem adultos com doenças crônicas, que geram altos custos para os sistemas de saúde pública.
Dados da pesquisa
O estudo contou com a participação de 2.688 crianças de 28 escolas em São Paulo e no Ceará, com uma média de idade de 12 anos. Ao longo de 18 meses, 694 delas foram monitoradas, revelando que as costas, pernas e pescoço são as partes do corpo mais afetadas.
Desmistificando a dor de crescimento
Yamato ressalta que a dor musculoesquelética é frequentemente subestimada e mal compreendida. A associação da dor à "dor de crescimento" carece de evidências científicas, levando a um tratamento inadequado. É essencial que tanto pais quanto profissionais de saúde considerem a gravidade dessas queixas e realizem um acompanhamento adequado.




