A medicina preventiva está prestes a passar por uma transformação significativa com o uso de dispositivos inteligentes, como relógios e anéis, que prometem detectar precocemente condições clínicas graves. Esta inovação foca especialmente em doenças como Parkinson e problemas cardíacos.

Centro de Pesquisa Viva Bem

O novo Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) Viva Bem é uma parceria entre a Fapesp, a Unicamp e a Samsung, dedicado ao desenvolvimento de inteligência artificial (IA) que visa identificar 'sinais invisíveis' de doenças antes que os sintomas se tornem aparentes.

Diferente das abordagens tradicionais que dependem de consultas médicas pontuais, a IA em dispositivos vestíveis permite um monitoramento contínuo, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Essa coleta incessante de dados durante a rotina do usuário pode revelar padrões que análises em consultórios não conseguiriam identificar.

Funcionalidades da Tecnologia

O projeto se destaca pelo uso de IA embarcada, o que significa que os algoritmos operam diretamente nos dispositivos, possibilitando o processamento de dados em tempo real, sem depender de conexões externas. Entre as principais funções, destacam-se:

  • Doença de Parkinson: A tecnologia analisa tremores, padrões de sono e marcha, podendo detectar indícios da doença anos antes do diagnóstico convencional.
  • Saúde cardiovascular: Atua como um eletrocardiograma contínuo, monitorando a variabilidade cardíaca para identificar riscos de arritmias e infartos.
  • Saúde mental: Detecções de estresse e ansiedade são possíveis através da condutividade elétrica da pele, monitorada pelos sensores dos dispositivos.

Prevenção de Quedas em Idosos

A IA também pode ser uma aliada na prevenção de quedas entre idosos, identificando declínios na força e na mobilidade meses antes de um incidente ocorrer, permitindo intervenções prontas que podem salvar vidas.

Personalização e Ética

O sistema é projetado para respeitar a individualidade de cada corpo, evitando diagnósticos genéricos. A IA aprende a variabilidade de cada usuário, garantindo que os alertas sejam personalizados. Além disso, o projeto segue rigorosos protocolos de privacidade e ética para proteger os dados sensíveis dos usuários.

Investimento e Projeções Futuras

Com um investimento inicial de R$ 20 milhões, mais de 70 pesquisadores da Unicamp e especialistas da Samsung estão envolvidos no projeto. O intuito não é substituir os médicos, mas sim fornecer informações que auxiliem os usuários a buscar atendimento médico no momento certo, melhorando assim sua qualidade de vida.