O governo de Luiz Inácio Lula da Silva está se preparando para as possíveis tarifas que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) deseja aplicar ao Brasil. As taxas, que podem ser de até 25%, têm previsão de entrada em vigor a partir de 15 de julho, dependendo da decisão do presidente Donald Trump.

Expectativas do Planalto

O Planalto acredita que a imposição das tarifas seja inevitável, considerando que o governo americano não fez concessões a outros países. Embora o governo brasileiro não tenha participado das audiências públicas sobre o assunto, enviou dois observadores para acompanhar as discussões.

Participação na audiência

A audiência pública promovida pelos EUA contou com a presença de representantes de setores privados brasileiros que seriam afetados pelas tarifas, além do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência. Embora o governo Lula tenha optado por não participar ativamente, o cenário é de preocupação com as implicações comerciais.

Cenários em análise

O governo brasileiro projeta dois cenários: o mais provável é a aplicação das tarifas, enquanto o menos provável é um adiamento por parte dos EUA. Caso as tarifas sejam impostas, Lula e sua equipe continuarão a argumentar que as sanções são injustificáveis.

Possíveis justificativas para adiamento

Se o governo Trump optar pelo adiamento, duas razões podem ser apresentadas. A primeira seria a sinalização de que as negociações estão em andamento. Contudo, o representante comercial americano já afirmou que os países estão “longe de um acordo”. A segunda justificativa poderia ser a solicitação do senador Flávio Bolsonaro para que as tarifas sejam aplicadas apenas após as eleições de outubro.

Implicações políticas

Para o governo Lula, se a proximidade com o clã Bolsonaro for utilizada como justificativa para o adiamento, isso pode evidenciar que as tarifas estão mais ligadas a interesses políticos do que a questões econômicas. Assim, o governo se posiciona contra as sanções, considerando-as uma medida injusta e sem fundamento técnico.

Propostas de taxação

As propostas apresentadas pelo USTR incluem uma tarifa de 25% devido a práticas desleais de comércio, resultado de uma investigação aberta em julho de 2025, e uma taxa de 12,5% pela falta de restrições à importação de produtos associados ao trabalho forçado. Essas medidas refletem a postura rígida do governo americano em relação ao comércio internacional.