O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões dos bens de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL). As suspeitas surgiram em função de desvios relacionados a 21 emendas parlamentares, mesmo com Valdemar não exercendo atualmente um mandato eletivo.

Investigações da Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) investiga o caso sob a Operação Transparência, que teve início em dezembro de 2025. Segundo os documentos, Valdemar teria utilizado servidores da Câmara dos Deputados para redirecionar recursos do orçamento secreto, um tema amplamente discutido desde sua revelação pelo Estadão, em maio de 2021.

Dino enfatizou em sua decisão que as ações de Valdemar causaram sérios prejuízos ao erário, uma vez que emendas que totalizam mais de R$ 119 milhões foram desviadas de maneira fraudulentas. Ele destacou que a atuação de uma pessoa sem mandato parlamentar na alocação de orçamento é extremamente preocupante.

Dados da investigação

O relatório da PF aponta que, mesmo considerando apenas as emendas já pagas, há um desvio consolidado de R$ 104 milhões. Valdemar, que já foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso Mensalão, é considerado um beneficiário direto de tais desvios.

Funcionários envolvidos

A investigação revelou que Mariângela Fialek, ex-assessora do deputado Arthur Lira, foi crucial para a execução desse esquema. Ela teria atuado no direcionamento das emendas, que eram formalmente registradas em nome de deputados federais, criando uma fachada de legalidade para as ações de Valdemar.

Além de Fialek, a servidora Nara Benedetti Nicolau Brum, lotada na liderança do PL, também foi identificada como uma agente central no tratamento e encaminhamento das emendas. A PF encontrou diálogos que indicam a atuação constante de Nara junto a Fialek, mencionando frequentemente Valdemar como responsável pelas indicações.

Repercussão e próximos passos

A decisão de Flávio Dino e os desdobramentos da investigação seguem repercutindo no cenário político. A expectativa é que novas informações surgem conforme a PF avança na apuração dos fatos e que os envolvidos sejam responsabilizados adequadamente.