A diretora de fotografia venezuelana Wilssa Esser, que se estabeleceu no Brasil, recebeu um convite para se tornar membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, responsável pelo Oscar. Este convite representa um marco significativo na carreira de uma artista que superou barreiras geográficas e culturais para se firmar no cinema brasileiro.

Trajetória de Wilssa Esser

Wilssa, que nasceu na Venezuela, formou-se na Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños, em Cuba. Essa instituição é conhecida por sua formação de cineastas de diversos países da América Latina. Durante sua formação, ela teve a oportunidade de se aprofundar na cinematografia brasileira, que a encantou por sua inovação e os temas abordados.

Entre os filmes que a marcaram estão títulos como “O som ao redor” (2013) e “A febre do rato” (2012). No entanto, ao concluir sua formação em 2013, encontrou uma Venezuela em crise, com o setor audiovisual deteriorado e sem políticas de apoio à produção cinematográfica.

Escolha pelo Brasil

Diante desse cenário, Wilssa decidiu migrar e, após considerar o México e o Brasil, optou por se estabelecer no país brasileiro. Em 2017, ela chegou a Belo Horizonte, onde foi convidada por André Novais de Oliveira para assumir a direção de fotografia do filme “Temporada”. Este projeto foi um divisor de águas em sua carreira, rendendo-lhe o prêmio de melhor direção de fotografia no Festival de Brasília.

O sucesso de “Temporada” a projetou nacionalmente e abriu portas para novos trabalhos, além de estabelecer parcerias criativas duradouras, como com a atriz Grace Passô, com quem trabalhou em outros projetos, incluindo o curta “República” e o longa “Nosso segredo”, que foi exibido na mostra Perspectivas do Festival de Berlim.

Visão Coletiva e Temáticas Preferidas

Apesar de seu reconhecimento, Wilssa preconiza que a direção de fotografia deve ser vista como um esforço coletivo. Para ela, a imagem é um produto do trabalho conjunto entre diretores e outras áreas criativas, como direção de arte e som. Além disso, ela possui uma afinidade especial por histórias que retratam periferias e o público LGBTQIA+.

Atualmente, a diretora está envolvida no filme “Levante”, que aborda a questão do direito ao aborto no Brasil e suas implicações sociais. Wilssa também vê seu convite à Academia como uma oportunidade para promover o cinema brasileiro em esferas internacionais e expressa o desejo de filmar na Venezuela, caso surja a oportunidade.