De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o custo de uma alimentação saudável subiu 25% nos últimos cinco anos. Atualmente, esse custo é de 4,28 dólares por pessoa diariamente, o que representa um grande desafio para a segurança alimentar global.

Impacto na população

O economista-chefe da FAO, Máximo Torero Cullen, revelou que cerca de 2,69 bilhões de pessoas, ou quase um terço da população mundial, não consegue arcar com esses gastos. Ele apresentou os dados durante uma coletiva de imprensa na sede da ONU em Nova York.

Desigualdade regional

Os dados também mostram que a região mais afetada pelo aumento do custo é a América Latina, em especial o Caribe. Segundo Torero Cullen, essa situação se deve à priorização das exportações em detrimento da oferta local de alimentos diversificados.

Composição do custo

Os alimentos básicos, como cereais e leguminosas, representam apenas 13% do custo de uma alimentação saudável, enquanto os produtos de origem animal correspondem a quase 30%. Além disso, frutas e verduras têm um peso significativo de 16% nesse cálculo.

Recomendações da FAO

O especialista da FAO destacou que o verdadeiro desafio não é produzir calorias suficientes, mas sim tornar os alimentos ricos em nutrientes mais acessíveis. Ele afirmou que se a produção local fosse incentivada, o custo de uma alimentação saudável poderia ser reduzido em até 34% globalmente e em quase 80% na África.

Investimentos necessários

Além disso, a FAO sugere a reorientação dos subsídios públicos para favorecer alimentos mais nutritivos, em vez de direcioná-los apenas aos cereais. Também é enfatizada a importância de investimentos em logística e infraestrutura, como estradas e sistemas de armazenamento, visto que entre 70% e 75% do custo de uma alimentação saudável é gerado após a saída dos produtos das fazendas.