Os setores isentos da recente rodada de tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros falam em um "alívio parcial", mas permanecem cautelosos devido à possibilidade de uma nova taxa de 12,5% que poderá ser implementada já na próxima semana. Essa nova tarifa está sendo considerada em decorrência de uma investigação do USTR sobre práticas de trabalho forçado.
Impacto das Tarifas
Na quinta-feira (16), os EUA anunciaram tarifas de 25% sobre uma variedade de produtos brasileiros, mas deixaram de fora mercadorias essenciais para o mercado americano, como café, carne bovina, pescados, suco de laranja e ferro-gusa. Essas isenções foram saudadas por alguns setores, que agora temem novas taxas.
Investigação sobre Trabalho Forçado
O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) está próximo de concluir uma investigação que envolve 60 países, incluindo o Brasil, para coibir práticas de trabalho forçado. O relatório preliminar, finalizado em junho, sugere a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros, mas não afirma que isso é uma consequência direta da investigação, aumentando a apreensão entre os setores produtivos.
Reações do Setor Privado
Fausto Cançado, presidente do Sindifer, que representa a indústria de ferro-gusa, comentou sobre o impacto das novas tarifas: "Fomos isentos dos 25%, mas a incerteza em relação à investigação sobre trabalho forçado nos preocupa. Acreditamos que, pela lógica, as isenções devem se repetir".
Previsões Alarmantes
Em uma estimativa anterior ao anúncio das tarifas, o Sindifer calculou que cerca de 55% das fábricas brasileiras de ferro-gusa poderiam parar, de forma definitiva ou temporária, se as novas tarifas fossem implementadas. A situação é crítica e requer atenção das autoridades brasileiras.
Preocupações no Setor de Café e Pesca
Marcos Matos, diretor geral do Cecafé, expressou preocupação com a investigação, afirmando que o café verde e o café solúvel também foram beneficiados pelas isenções. No entanto, ele destacou que a rapidez da investigação sobre trabalho forçado é alarmante, em comparação com o tempo maior dado a outras investigações comerciais.
Eduardo Lobo, da Abipesca, compartilhou a preocupação, mas reafirmou que o setor de pescados não possui violação trabalhista que possa resultar em penalizações. "Estamos em conformidade e esperamos que a investigação seja justa", concluiu.




