A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos correm o risco de serem afetados por uma nova tarifa, se o governo de Donald Trump decidir implementá-la. Essa informação foi divulgada em um momento crucial, já que as audiências públicas sobre o tema começaram em Washington nesta segunda-feira.

Prazo apertado para negociação

O prazo para que Brasil e Estados Unidos cheguem a um acordo sobre as tarifas se encerra em 15 de julho. O governo brasileiro está se esforçando para encontrar um entendimento antes que esse prazo expire, buscando evitar um impacto significativo nas exportações.

Motivos da tarifa

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) alega que o Brasil adota práticas desleais em setores como PIX, etanol e propriedade intelectual. O governo brasileiro, por sua vez, rechaçou essas alegações em um documento oficial enviado recentemente a Washington.

Impacto econômico

Se a nova tarifa de 25% for implementada, os 4,1 mil produtos em questão representariam um montante de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Entre os itens listados estão ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.

Posicionamento da CNI

Ricardo Alban, presidente da CNI, se manifestou contra a tarifa, afirmando que sua imposição não se justifica do ponto de vista jurídico, econômico e estratégico. Ele defende que o diálogo e a cooperação entre os países são fundamentais para manter uma relação comercial forte.

Audiências públicas e estratégias de negociação

O governo brasileiro optou por não fazer discursos nas audiências públicas, mas enviará representantes como observadores. A estratégia é concentrar esforços em negociações técnicas de alto nível que estão sendo realizadas em paralelo. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, já teve reuniões com autoridades americanas para discutir a questão e espera novas conversas para os próximos dias.