Um novo estudo publicado na JAMA Neurology revela um aumento significativo na prevalência de demência em vários países da América Latina, enquanto nos Estados Unidos e na Europa essa taxa tem diminuído. A pesquisa, que analisou dados de 16.950 idosos, mostra um crescimento da doença de 10,6% para 16,9% ao longo de 20 anos.
Aumento alarmante na região
O crescimento da demência foi mais acentuado em países como México, que viu a taxa subir de 9,6% para 14,5%, e Porto Rico, que passou de 10,7% para 15,7%. Peru também registrou um aumento, de 7,6% para 11,7%. Cuba e República Dominicana, no entanto, mantiveram índices estáveis.
Metodologia inovadora
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade Washington e da Universidade de Newcastle, utilizou uma abordagem inovadora ao entrevistar idosos em suas residências, evitando o viés de seleção que pode ocorrer quando se conta apenas com dados de hospitais. Essa metodologia trouxe à tona uma realidade muitas vezes negligenciada.
Fatores de risco e exposoma
Os pesquisadores identificaram que, mesmo ao considerar fatores de risco como escolaridade e doenças crônicas, a demência ainda aumentou. Isso sugere que existem outros fatores não mensurados, conhecidos como exposoma, que podem estar contribuindo para essa elevação nas taxas de demência, como a qualidade da educação e o controle de doenças.
Comparativo entre países
Os autores levantaram a hipótese de que Cuba e República Dominicana podem ter evitado o aumento devido a uma menor prevalência de obesidade e doenças metabólicas. Este contraste ressalta a importância do estilo de vida e da saúde pública na prevenção da demência.
O papel da prevenção
A Organização Mundial da Saúde destaca que até 45% dos casos de demência podem ser prevenidos com o controle de fatores modificáveis, como alimentação saudável, atividade física e manejo adequado de doenças crônicas. O estudo reforça que hábitos saudáveis devem ser implementados o quanto antes, pois os efeitos se acumulam ao longo da vida.




