No Sul de Minas, produtores de café estão adotando medidas de segurança mais rigorosas para proteger suas propriedades de furtos e roubos. Apesar da recente queda na criminalidade, a sensação de insegurança persiste, levando os cafeicultores a investirem em tecnologia e vigilância coletiva.

Colaboração entre produtores

Em Três Pontas, cinco cafeicultores se uniram para implementar um sistema de monitoramento nas estradas que levam às suas propriedades. O investimento, que ultrapassa R$ 140 mil, inclui três câmeras: duas para registrar a movimentação de veículos e uma dedicada à leitura de placas. Esse sistema emite alertas sempre que um veículo não cadastrado passa, permitindo respostas mais rápidas a atividades suspeitas.

Histórias de furto motivam investimentos

A produtora Adalgisa Miranda, que já foi vítima de furto, decidiu investir no monitoramento após ladrões colherem café diretamente de sua lavoura à noite. Ela conta que, após essa experiência traumática, sua propriedade foi invadida, e parte do café armazenado foi furtada. "Foi uma surpresa. Não tinha nenhum grão de café no pé, eles apanharam durante a noite", relata.

Aumento da produção gera preocupação

Os cafeicultores estão especialmente preocupados em um ano de safra recorde, com Minas Gerais projetando colher mais de 33 milhões de sacas de café, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. Com mais café armazenado, as propriedades se tornam alvos mais atraentes para os criminosos.

Melhoras nos índices de segurança

Embora os índices de criminalidade tenham melhorado, com uma redução de 57% nos roubos no Sul de Minas, a região ainda representa 26% dos furtos em áreas rurais no estado. Os cafeicultores, no entanto, continuam vigilantes e utilizam redes de comunicação, como grupos de WhatsApp, para compartilhar informações sobre atividades suspeitas.

Ações da Polícia e medidas preventivas

A Polícia Civil está atuando em parceria com a Polícia Militar para intensificar o patrulhamento nas áreas agrícolas. Com 14 delegacias especializadas em Minas, a corporação se concentra em quadrilhas organizadas e crimes de oportunidade. Além do monitoramento com câmeras, especialistas recomendam que os produtores adotem práticas preventivas, como contratar trabalhadores de confiança e evitar o armazenamento prolongado de café.

Para os cafeicultores, os prejuízos vão além do aspecto financeiro, afetando também a sensação de segurança e controle sobre suas propriedades. "É uma sensação de invasão, de perda do controle da propriedade", afirma Adalgisa, refletindo sobre o impacto emocional dos furtos em suas vidas.