A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou nesta segunda-feira (6/7) uma nova indicação para o Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), um medicamento já utilizado no Brasil para tratar câncer de mama. A aprovação agora permite o uso do remédio em pacientes com câncer de mama HER2-positivo em estágios iniciais, ao invés de apenas em casos avançados.

Importância da nova indicação

O câncer de mama HER2-positivo é caracterizado pela presença de uma proteína que aumenta as chances de recidiva e metástase. A mastologista Rosemar Rahal, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mastologia da Febrasgo, destaca que até 25% dessas pacientes podem apresentar recidiva em até dez anos.

Objetivos do tratamento

A nova autorização visa aumentar as chances de cura, reduzindo o risco de o câncer voltar de forma invasiva ou levar à morte. Estudos indicam que o uso do Enhertu diminui em 53% o risco de recidiva ou óbito, o que representa um avanço significativo no tratamento.

Como o Enhertu atua

O medicamento atua como um mecanismo de entrega, onde um anticorpo identifica as células doentes e transporta uma substância que leva à morte do tumor, preservando mais células saudáveis em comparação com a quimioterapia convencional.

O câncer de mama no Brasil

O câncer de mama é o tipo mais diagnosticado mundialmente e a principal causa de morte por câncer entre mulheres. No Brasil, estima-se que mais de 70 mil novos casos sejam registrados anualmente, com uma parte significativa sendo do tipo HER2-positivo, que tradicionalmente apresenta um prognóstico menos favorável.

Próximos passos para acesso ao SUS

A aprovação da Anvisa permite o uso do Enhertu no país, mas a inclusão no SUS (Sistema Único de Saúde) ainda depende de uma nova avaliação pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e pelo Ministério da Saúde. A Conitec já está analisando o medicamento para outros grupos de pacientes com câncer mais avançado, mas a nova indicação para doença residual ainda não possui previsão de incorporação ao sistema público de saúde.