A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) voltou a manifestar sua insatisfação com a decisão do governo de ampliar a isenção de impostos para carros elétricos semidesmontados até janeiro de 2027. O presidente da entidade, Igor Calvet, destacou que essa medida cria um cenário de competição desigual para as montadoras brasileiras.

Desvantagem para fabricantes locais

Calvet afirmou que as marcas que já possuem infraestrutura no Brasil enfrentam desvantagens em relação às fabricantes chinesas, que importam veículos desmontados em grandes quantidades e com menos impostos. Ele ressaltou que, se o objetivo é simplesmente importar, as empresas chinesas têm uma vantagem clara devido aos custos mais baixos de logística e capital.

Nova cota de importação

Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) renovou a cota de importação sem impostos para veículos elétricos semimontados e desmontados, conhecidos como CKD e SKD. Essa decisão permitirá que carros montados no Brasil e aqueles semimontados não paguem imposto de importação por seis meses, totalizando um valor de US$ 463 milhões.

Critérios questionáveis

A Anfavea criticou a falta de diálogo sobre a extensão do incentivo, ressaltando que os critérios utilizados para a concessão da isenção não refletem a realidade atual do mercado. Andrea Serra, diretora tributária da Anfavea, destacou que a base de cálculo considera operações desde 2023, o que não representa adequadamente o cenário atual.

Impacto no emprego

Calvet alertou que a transição para os regimes CKD e SKD poderia resultar na perda de 70% dos empregos no setor automotivo brasileiro. Ele explicou que o processo de montagem desses veículos é mais simples e requer menos mão de obra, o que poderia levar a um aumento significativo no desemprego.

Incentivos contraditórios

O presidente da Anfavea enfatizou que, enquanto o Brasil busca desenvolver uma produção automotiva mais sofisticada e voltada para a eletrificação, a concessão de incentivos para a importação de carros desmontados é contraditória e prejudicial ao setor. A Anfavea espera que o governo reavalie essa política para proteger a indústria nacional.